Grupo Nacional do Voluntariado Teresa de Saldanha, ligado à Ordem das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena.

25 setembro, 2018

Sobre Taizé…

  

A proposta era uma semana de reflexão para jovens dos 18 aos 35 anos, parecia perfeito, não fosse a viagem e a alimentação. Isto nunca me faz por em causa a minha participação. E curiosamente, com o aproximar da data de partida os receios foram se dissipando.

Fiz as malas, carreguei todos os problemas que me preocupavam, abri o coração, e parti.
A viagem é longa o suficiente para pensarmos ao que vamos e para que vamos…
Chegar a Taizé, pelo menos para mim que era a primeira vez, é um alívio da saída do autocarro e a curiosidade de ver tudo o que nos rodeia.
No dia da chegada, no final da oração da noite, resolvi passar para o papel o que sentia, escrevendo:

Tímida, é como me sinto…
Tímida como uma criança que chega pela primeira vez a um espaço, mas não é essa timidez que me vai deter. Como falava o Pe. Rui na missa de envio, quero ser como uma criança disposta a experimentar.
Aqui estou Senhor, diante de ti, pronta para de ouvir e disposta a falar.

Hoje quando cheguei a esta igreja, fechei os olhos, ouvi os pássaros e a briza lá fora, logo percebi o porquê de estar aqui.
Senti-me a caminhar para ti, pronta para despir todas as minhas capas e encontrar-me Contigo.

Logo percebi que se quisesse realmente absorver o que Taizé tinha para me dar teria de despir todas as capas que carrego comigo, retirar as máscaras e colocar-me diante d’Ele. Isto só começou a tornar-se possível ao segundo dia, em que logo na oração da manhã senti que já estava a olha-Lo frente, sem medos, sem vergonha e preparada para sentir o Seu amor.
E assim foram estes dias na comunidade, sem medo de falar, de observar, de abraçar, sem medo do silêncio que por vezes foi perturbador, sem medo de todos os dias começar de novo.

Com a comunidade aprendemos o verdadeiro significado da palavra acolhimento, leva-nos a pensar na forma como acolhemos o outro na nossa casa, na nossa vida e na forma como nos comportamos com as pessoas com que nos cruzamos no dia-a-dia. Ali naquela pequena aldeia, tanta gente tão diferente, leva-me a crer que foi nisto que Deus pensou quando criou o Homem. Esta visão envergonhou-me, principalmente quando me questionei da forma como recebo Cristo na minha vida, eu que ando sempre cheia de pressa para tudo, talvez muitas vezes não me aperceba de como Ele me abordou através do outro.

Em Taizé houve tempo para pensar, tempo para discernir, e os problemas que carreguei antes de partir, quando me sentei para os rever, curiosamente, tive alguma dificuldade para me lembrar deles.
Porquê? Porque diante de tudo aquilo, e diante de Deus, os meus problemas tornaram-se apenas situações a resolver.

Com o passar dos dias questionava-me de como seria regressar a casa, e ao 6º dia durante a oração do meio dia, no momento de silêncio, escrevi:
Quando a poeira entra para os nossos olhos, temos de lavar o rosto para voltarmos a enxergar melhor. Sinto que esta vinda a Taizé servirá para “limpar” o meu coração e a minha mente da poeira do dia-a-dia. Permitindo-me olhar o mundo com outros olhos e com mais amor.

Com isto confesso que o medo de regressar à rotina existe, e a questão que se coloca é… E agora? Não voltarei a Taizé nos próximos tempos, que “água” utilizarei para lavar os meus olhos?
A resposta está no que ontem o irmão David partilhava connosco no encontro por países…
Aquilo que vivemos em Taizé, não é Taizé, é Cristo, e Ele está e vai connosco.
Regressei a casa com a certeza de que Taizé possibilitou um reencontro e que haverá sempre um sentimento de paz quando recordar estes dias possibilitando que esta chama continue acesa.

Termino com uma frase de Santa Catarina de Sena, partilhada no guião que acompanhou o meu grupo durante a viagem:
"Jovens, se fores aquilo que Deus quer, pegareis fogo ao mundo"

Um abraço,
Ana Cristina