A esperança que se faz missão: interculturalidade, laicado e serviço aos mais frágeis


O sexto dia do VI Encontro Internacional das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena ficou marcado pela animação litúrgica feita por Timor-Leste. A celebração da oração da manhã foi enriquecida por cânticos de sonoridade asiática, que proporcionaram à assembleia um momento de oração vivido ao ritmo timorense. Como gesto simbólico de fraternidade, as irmãs de Timor distribuíram ainda uma pulseira a cada participante, sinal da comunhão que une todas as províncias da Congregação.
Ao final do dia realizou-se a tradicional noite cultural, um dos momentos mais aguardados do encontro. Cada país apresentou um pouco da sua identidade através das suas tradições, da gastronomia e das expressões artísticas que o caracterizam. A degustação de pratos típicos permitiu uma verdadeira viagem pelos sabores dos diferentes continentes, enquanto as atuações de música, dança e outras manifestações culturais proporcionaram um serão de grande animação.
O dia 25 de julho, memória litúrgica de São Tiago Apóstolo, foi dedicado à reflexão sobre o papel do laicado na missão da Igreja. Ao longo da manhã, a assembleia aprofundou a importância da vocação dos leigos enquanto corresponsáveis na evangelização e na construção de comunidades cristãs comprometidas. Neste contexto, os representantes dos leigos Amigos Teresa de Saldanha ATS e do Voluntariado Teresa de Saldanha VTS deram a conhecer a história, a missão, os objetivos, os projetos desenvolvidos e os desafios futuros destes dois grupos laicais inspirados em Teresa de Saldanha.
Enquanto representante do VTS, tive a oportunidade de apresentar este grupo de leigos dominicanos, bem como de partilhar um breve testemunho sobre algumas experiências que marcaram o meu crescimento na fé. Entre elas, destaquei o acompanhamento escolar e espiritual recebido ao longo dos anos pelas Irmãs Dominicanas, as vivências proporcionadas pelo percurso académico na Universidade de Aveiro, a participação em diferentes comunidades paroquiais, a missão desenvolvida na Pastoral da Pessoa com Deficiência e o caminho espiritual construído no seio do Voluntariado Teresa de Saldanha. Agradeço à Congregação a confiança que em mim depositou ao confiar-me esta missão.
A Eucaristia deste dia foi animada por leigos de ambos os grupos, com cânticos de louvor portugueses e africanos. Digo ao modo, a celebração ficou marcada por um momento de especial significado pessoal. A meu pedido, foi colocada sobre o altar uma intenção pelo matrimónio do meu irmão gémeo, que nesse mesmo dia celebrava o sacramento do casamento, em Portugal. Desta forma, foi possível viver este momento em profunda comunhão com a minha família, unindo a celebração do matrimónio à oração da família dominicana reunida em Angola. A assembleia associou-se a esta intenção através de cânticos de ação de graças, tornando este momento particularmente emocionante.
Durante a tarde, irmãs e leigos foram distribuídos por diferentes grupos missionários, sendo enviados para diversos espaços de missão da cidade de Luanda. Entre as iniciativas realizadas destacaram-se as visitas ao hospital, onde foram dirigidas palavras de esperança às crianças doentes e às suas famílias, e casas de pessoas habitualmente acompanhadas espiritualmente pelas irmãs ou pela paróquia, que estão impossibilitadas de participar na Eucaristia, onde foi distribuída a Sagrada Comunhão e levada uma mensagem de conforto e proximidade.
O grupo missionário do qual eu tive a graça de fazer parte, deslocou-se à Casa Santa Isabel, casa que acolhe cerca de duas centenas de crianças e jovens em situação de abandono. A obra é coordenada por uma antiga Irmã Dominicana que, apesar de já não pertencer à Congregação, continua a testemunhar, de forma admirável, o lema de Teresa de Saldanha: «Fazer o bem sempre». Num contexto onde a pobreza se torna particularmente visível, impressionam a educação, a alegria, o espírito de entreajuda e a sólida formação religiosa das crianças ali acolhidas. Esta casa conta igualmente com o apoio de alguns membros ATS de Luanda, que colaboram na continuidade desta importante missão.
A receção preparada pelas crianças tornou este momento especialmente marcante. Com cânticos religiosos e uma encenação bíblica, manifestaram a alegria de acolher o grupo missionário, proporcionando um ambiente de profunda emoção. No final da visita, a distribuição de doces por todas as crianças transformou-se num gesto simples, mas repleto de significado, despertando inúmeros sorrisos. A experiência permitiu ainda identificar este espaço como um possível local para uma futura missão do Voluntariado Teresa de Saldanha, reforçando o compromisso de continuar a levar esperança junto daqueles que mais necessitam.
Ana Sofia Teixeira-Voluntariado Teresa de Saldanha
Luanda-26 julho 2026

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